Resumo do segundo artigo que discute os "Temas e Problemas da Cultura Literária Brasileira"
O segundo momento do Projeto de Iniciação Científica intitulado "Temas e Problemas da Cultura Literária Brasileira" tem como objetivo apresentar as biobibliografias dos críticos Sílvio Romero, José Veríssimo, Afrânio Coutinho, Antônio Cândido, Alfredo Bosi e Roberto Schwarz, em fases investigatórias distintas, divididas em A Crítica pensando o Brasil; A Crítica pensando as transformações na Arte; A Crítica pensando a Literatura; e A Crítica pensando a Crítica, de acordo com o esquema abaixo:
Segue um breve resumo da pesquisa biobibliográfica relacionada à obra e à trajetória do crítico Silvio Romero, que, segundo o presente estudo, adotou o modelo sociológico, preocupado com a formação da identidade nacional, contribuindo para uma compreensão histórica da cultura literária brasileira.
Embora já tivessem nas Academias literárias dos séculos XVII e XVIII reflexões a respeito da nossa literatura, é apenas no século XIX que a Crítica literária brasileira se forma. Na época do Romantismo praticamente todos os escritores brasileiros estavam preocupados com a busca de uma identidade nacional e uma independência literária, mas a Crítica literária brasileira só passou a ter mais coesão no período do realismo/naturalismo, pois segundo o autor Assis Brasil, em seu livro Teoria e prática da crítica literária, foi nessa época que “A literatura passa a ser estudada, então, sob o prisma sociológico e sob uma metodologia ‘científica’.” (BRASIL, 1995, p.31).
A figura de Sílvio Romero se destaca nessa época. Portanto, entendemos que uma reflexão sobre a sua vida (origens, pensamentos e trajetória), suas obras e suas formulações teóricas permitirá uma compreensão acerca da sua influência para a literatura nacional.
Sílvio Romero nasceu em 21 de abril de 1851 na cidade de Lagarto em Sergipe. Com 17 anos, cursou a Faculdade de Direto em Recife e, no segundo ano da faculdade, Silvio já atuava na imprensa pernambucana, colaborando com artigos, poesias e críticas. Destacou-se entre os integrantes da Geração de 70 da Escola do Recife e, após se formar, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro.
Entre 1876 e 1886, Sílvio se dedicaria aos estudos do folclore e da etnologia, fazendo diversas publicações, entre elas, a mais importante “que se tornou referência para os estudos sobre o percurso da atividade literária no Brasil, a História da literatura brasileira, publicada em 1888.” (MOTA, 2000, p.40).
Participou da fundação da Academia Brasileira de Letras em 1897 e ocupou a cadeira do Patrono Hipólito José da Costa. Colaborou ativamente na Revista ABL e fez alguns discursos, entre eles, o de saudação a Euclides da Cunha.
Silvio Romero falece no dia 18 de junho de 1914, aos 63 anos de idade nos deixando cerca de 350 publicações – entre livros, ensaios, discursos, teses, artigos etc. Mais impressionante que a quantidade, são as variedades dos assuntos que abrangem Direito, política, sociologia, economia, filosofia, história, literatura etc.
Compreender o contexto histórico em que ele estava inserido, bem como a sua formação intelectual, relacionando-as com algumas de suas principais obras nos dá base para discutir a “Crítica pensando o Brasil”.
Nas últimas décadas do século XIX, o Brasil passou por diversas experiências devido ao crescimento constante da industrialização e da urbanização, principalmente no sudeste. Entre elas, destacam-se: o trabalhador livre e assalariado que foi, aos poucos, substituindo os escravos; a produção de café no Rio de Janeiro maior que a de açúcar no nordeste; a burguesia urbana passou a ser maior que a agrária; a fundação do partido Republicano; produção e a renovação intelectual; as teorias vindas do estrangeiro como o Positivismo, Determinismo e Evolucionismo etc.
Segundo Assis Brasil em seu livro Teoria e prática da crítica literária, “foi exatamente nesse período que a crítica literária brasileira tomou impulso e desenvolveu certa coesão doutrinária.”. (1995, p. 31).
No livro Provocações e debates (Contribuição para o estudo do Brazil Social), Sílvio relata, de forma emocionada, como se deram as transformações entre 1868 e 1878 e demonstra orgulho por ter participado desse período extremamente significativo para a história nacional que transformaram, além de tantas outras coisas, a nossa literatura.
Desde o começo de sua carreira, publicando artigos e monografias nos jornais recifenses, combateu ao romantismo e ao indianismo. Sob influência das teorias da época, Romero se preocupou em compreender o Brasil e a literatura como um produto do meio, raça e momento histórico. Ele não analisava as obras priorizando a estética, mas a sua contribuição social.
Para Sílvio, compreender a literatura era sinônimo de compreender o Brasil. Enquanto que no romantismo o índio era visto como figura nacional, na visão realista era o mestiço que representava o brasileiro. É justamente da mistura entre índio, negro, português, meio físico e influências estrangeiras que nascíamos. Ele defendia a ideia de que os escritores deveriam exaltar a nossa identidade e, dessa forma, estruturar uma tradição que resultaria na formação da nacionalidade.
Em 1888, Sílvio Romero publica uma das obras mais importantes de toda a sua carreira: a História da literatura brasileira.
José Veríssimo, crítico literário da sua época, a quem tanto combateu, e foi combatido, dedica um capítulo do seu livro Estudos de literatura brasileira (1907) pra falar sobre essa riquíssima obra. Ele a classifica como “o livro mais completo sobre a nossa história literária”. (VERÍSSIMO, 1977, p.111).
Ao falar da Crítica pensando o Brasil, é imprescindível falar do professor Sílvio Romero como representante desse movimento. Desde sua mocidade até seus últimos dia de vida, Romero dedicou-se a interpretar a literatura como peça fundamental da nossa identidade, e das nossas experiências, nacional.
REFERÊNCIAS
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 37 ed. São Paulo: Cultrix, 1994.
BRASIL, Assis. Teoria e prática da crítica literária. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.
CANDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos,1750-1880. 12 ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul; São Paulo: FAPESP, 2009.
JOÃO DO RIO. O momento literário. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura; Fundação Biblioteca Nacional, 1907. Disponível em:
<http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/momento_literario.pdf>. Acesso em: 21 de abril de 2015.
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MENDONÇA, Carlos Süssekind de. Sílvio Romero, sua formação intelectual, 1851-1880. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938. 114 v.
Disponível em: <http://www.brasiliana.com.br/obras/silvio-romero-sua-formacao-intelectual-1851-1880>. Acesso em: 19 abr. 2015.
MOTA, Maria Aparecida Rezende. Sílvio Romero: dilemas e combates no Brasil da virada do século XX. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2000.
ROMERO, Sílvio. Machado de Assis: estudo comparativo de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Laemmert C. Editores, 1897. Disponível em:
<http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01615800>. Acesso em: 22 abr. 2015.
ROMERO, Sílvio. Provocações e debates (Contribuição para o estudo do Brazil Social). Porto: Livraria Chardron de Lello Irmão, 1910. Disponível em:
<http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01616500>. Acesso em: 21 abr. 2015.
ROMERO, Sílvio. Zéverissimações ineptas da crítica: repulsas e desabafos. Porto: Comercio do Porto, 1909. Disponível em: http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01616600>. Acesso em: 22 abr. 2015.
SCHHNEIDER, Alberto Luiz. Sílvio Romero, hermeneuta do Brasil. São Paulo: Annablume, 2005.
VERÍSSIMO, José. José Veríssimo: teoria, crítica e história literária. Seleção e apresentação de João Alexandre Barbosa. Rio de Janeiro, Livros técnicos e científicos; São Paulo, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1997.


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